No último final de semana me bateu uma angústia que tinha razão de ser. Nem no meu banheiro posso mais ficar à vontade. Quem mora em condomínio fechado de casas sabe do que eu estou falando. Elas são tão coladas, que qualquer barulho feito na sua casa, o vizinho escuta como se o tal barulho fosse na dele, inclusive no banheiro, isto é o fim do mundo.
O banheiro era para mim a “última fortaleza”, instransponível, tipo aqueles castelos da Idade Média ou a Fortaleza de Rohan (do filme Senhor dos Anéis). Quando adolescente, era lá que eu me trancava para fazer qualquer coisa, inclusive cantar as principais músicas do Legião Urbana, Engenheiros do Hawaii e Titãs. E olha que eu cantava bem. Ele (o banheiro) tinha uma ótima localização e acústica. No final da casa e sem janelas. Era o meu refúgio. Era a melhor meia hora do dia.
Passados alguns anos, casado e ainda sem filhos, o banheiro é para mim, lugar de fazer poucas coisas, entre elas, ouvir rádio AM e cantar as principais músicas do Legião Urbana, Engenheiros do Hawaii,Titãs e Chico.É, Chico Buarque. Envelheci e fiquei mais calmo também.
Mas se você mora em condomínio é gosta de privacidade está no lugar errado. O meu velho rádio de pilha tem ficar num volume baixo, porque às seis da manhã e onze da noite (meus horários preferidos no banheiro) os vizinhos devem estar dormindo. Cantar no chuveiro nem pensar.
Eu mesmo já fui um dos incomodados pelo barulho produzido no banheiro alheio. Sempre que um determinado vizinho vai para o banho eu falo pra minha mulher: - Olha lá, o cara da casa 120 está gritando de novo no banho, será que ele é maluco? Ela responde. - Sei lá, vai ver é. Não queria ouvir os barulhos feitos pelos meus vizinhos, mas nesses condomínios você escuta de tudo, mesmo que não queira.
Que saudade do meu velho banheiro, pequeno, mas seguro. Um amigo me sugeriu fazer um tratamento acústico no meu banheiro para evitar a propagação do som. Apesar de maluca, achei ótima idéia, quem sabe assim reerguerei as “muralhas da fortaleza” e voltarei a ter aquela velha paz da adolescência.
terça-feira, 27 de fevereiro de 2007
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